Estou na fase das séries quarenta mais, dos sapatos confortáveis, de assistir doramas amiúde, de colocar meu fone e alongar a esmo, de escrever para mim (e por mim), de comer dois ovos por dia sem me martirizar, de praticar a escuta mais o silêncio como volante da fala. E neste momento – cuja curiosidade me leva a filosofia, a neurociência e para alimentação saudável – ouço com ouvidos nada romanescos e bem elásticos o rugir da esperança, o sussuro da minha voz; e é aí no espelho da rotina na retina que me (re)conheço.