Amigo,
Fique feliz que me avistou. Quando chamou-me pelo nome no supermercado, eu andei. Ouvi Márcia Japiassú e fui ao seu encontro. Para variar, comecei a assinar meu último sobrenome. Mas este detalhe você não sabe. Eu acho. O Japiassú soou tão orgânico, tão natural, que apenas ao nos despedirmos lembrei-me: Tínhamos um apelido. Na hora eu o esqueci; no tchau, ele voltou. Já era tarde. Antes de partir, deixou lembranças para mamãe — as quais compartilhei. Dividi com ela minha procura pelo verde dos seus olhos. Uma ligeira demonstração da minha falta de reparo e – quiçá – de memória. Você se foi com suas vasilhas e mantimentos; eu era a próxima na fila do caixa. Eu te observei dirigir e lembrei de quando trocou o pneu do meu carro; talvez não se recorde. Então, resolvi escrever. Pois, quando me perguntou “e seus textos?”, omiti: hoje não mais escrevo; eu me imprimo. Quando eu caibo nas frases, sou palavra, pontos e acento... eu me conecto. Estava com saudades, Xu. Como sempre, gentil, atencioso e cavalheiro. Seu sucesso é colheita. Sua vida é semente.
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Amigo,
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Contágio
A gente perdeu a habilidade do encontro. Conhecer alguém é mais sobre verificar se o que ouviu sobre o outro é verdade. Fazemos checklist de fofoca o tempo inteiro e validamos estereótipos naturalmente.
Despretensiosamente, somos cúmplices de quem conversa demais e conhece de menos. Falta traquejo no ouvir, falta molejo no abdicar certezas beneficiando a dúvida...
Falta rever conceitos e pré-conceitos visibilizados pela maledicência e principalmente fechar o ciclo que viabiliza o desprezo, a discriminação e outras agressões.
A pessoa preterida, às vezes, tem suas falas tiradas de contextos e distorcidas por interesse de terceiros — os fofoqueiros.
Estes, entenda, deslizam pelo vitimismo de quem projeta no outro a imperfeição que tem — ou seria a covardia?
Demorei vinte anos para compreender que há um limbo entre entrega e espera, e segundos para respeitar o meu jeito desigual à sua expectativa, por mais convidativa que pareça.
Talvez a grande questão seja: se para eu crescer preciso te diminuir, estou mesmo evoluindo?
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Amiúde
Estou na fase das séries quarenta mais, dos sapatos confortáveis, de assistir doramas amiúde, de colocar meu fone e alongar a esmo, de escrever para mim (e por mim), de comer dois ovos por dia sem me martirizar, de praticar a escuta mais o silêncio como volante da fala. E neste momento – cuja curiosidade me leva a filosofia, a neurociência e para alimentação saudável – ouço com ouvidos nada romanescos e bem elásticos o rugir da esperança, o sussuro da minha voz; e é aí no espelho da rotina na retina que me (re)conheço.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
Permanece
Amigos partindo me aproximam de quem fica. Este tipo de partida faz-me pensar acerca de quem permanece. Caso questionada sobre uma memória estupenda, asseguro: a coexistência.
domingo, 26 de outubro de 2025
Carta a um jovem mancebo de quase 27 anos atrás.
Dia desses pensei em nós como evito pensar. Culpa do rádio que tocou algo nosso quando freei e por sorte o sinal fechou. Sintonizei afetos pretéritos com a música e desliguei quando percebi.
domingo, 21 de setembro de 2025
Um textinho sobre livros e leituras, será?
Gosto muito de ler, não sou uma compulsiva literária muito menos uma leitora patológica... Apenas leio.
domingo, 14 de setembro de 2025
Avessa a algumas (im)posições
Aprendi como o silêncio quando tático é dadivoso. Ele me escudeia ou me inspira a ação. Por vezes, emudecida escuto as pessoas sem qualquer conhecimento acerca de algo entabular um assunto conservando-me calada e em paz. O silêncio quando estratégico organiza a ideia antes de compartilhá-la.