O liame entre o efêmero e o eterno é o risco; e viver é arriscar-se, é um constante vir a ser, vir a ter e vir a estar. Não há nada mais potente que um instante sem antever qualquer prejuízo oriundo dele. O tempo vivido ocupa nas orações um espaço onde há na prática o verbo amar. O amor, porém, é ímpar, somos nós quem precisamos nos parear para não pararmos de conjugá-lo.
quinta-feira, 14 de outubro de 2021
Márcia
Que significa guerreira dentro ou fora da guerra;
Que responde por Marcinha;
Que atende por Japiassú;
Que ama Márcia Filha;
Que assina Amaro do italiano: Amargo;
Que não é João, mas é Batista;
Que tem "de Souza" como a maioria;
Que se pudesse escolher chamaria Moema;
Mas não descartaria Miranda – em homenagem a Priestly, Hobbes e Bailey
Que se fosse homem escolheria Timóteo;
Só que se fosse mãe batizaria de Heitor,
Que tem muitas alcunhas para poucos papéis;
E seis nomes insuficientes para tanto amor.
terça-feira, 8 de junho de 2021
Sei que o correto é 'deixa-me', mas, 'deixa eu' te pedir algo:
Deixa eu tratar os afetos insuportáveis que despacho ou abraço;
Deixa eu tomar consciência sem os óbices da resistência;
Deixa eu sumir com a culpa ao me responsabilizar por ela;
Deixa eu resolver os conflitos presentes nos verbos pretéritos;
Deixa eu dizer que a rima não nasce sem o aval da sina;
Deixa eu espaçar minha vida pelo esquadro do momento;
Deixa eu remover das horas vagas a pressão do desempenho;
Deixa eu expressar nesta mensagem minha ode à liberdade.
segunda-feira, 7 de junho de 2021
A evolução da cara de paisagem
Esta não é mais uma crônica de efeito, embora só a sua leitura dirá se te serve ou não o que escrevi. Aqui revelo um modo promissor para algumas (não todas) pessoas, chamado "cara de samambaia" – expressão usada por uma amiga cujo sentido é similar a "cara de paisagem". A lógica deste texto, a propósito, vem do diálogo que a gente teve no qual me identifiquei como adepta dessa cara.
Sobre esta, a própria consiste na postura – inspirada em uma planta – que demanda um certo treino, uma observação acurada , um dom trabalhado e uma sabedoria maleável. Depois de aprendida, fato, é inevitável usá-la na hora que alguém saí de si e te ofende, por exemplo. Eu diria que um dos intuitos dessa ação é se tranquilizar, com maturidade, para elaborar a melhor forma de resolver o conflito sem piorá-lo e/ou causar danos ainda maiores.
Ela vem junto a escolha que fazemos quando decidimos se queremos ter paz ou razão. Se você escolhe a paz, saiba: este é o primeiro passo para vivê-la. Todavia, é importante lidar com quem nos aduba, nos rega, nos poda e principalmente quem nos extirpa nos isolando até da sombra. Usuárias dessa cara são constantemente questionadas sobre "como elas dão conta?", a questão é exatamente essa: elas já sacaram que não tem que "dar conta" de tudo, só com aquilo que está ao alcance delas e se ouvir pode ser o ponto chave da percepção, por que não tentar?
Aqui cabe dizer que a cara de samambaia só é efetiva quando a pessoa conhece ou busca conhecer seus processos internos, cônscia das suas limitações e dos vacilos naturais que são postos para todos – até para quem, desautorizado, vai lá e puxa um pedaço que ainda não amadureceu. Porque possuímos fragmentos em formação, e prematuros, que estão enraizados a fim de crescerem no seu tempo e com sua identidade.
Samambaias são longevas – crescem com as crianças e amadurecem com os jovens, avançando a fase adulta com seu folhecer e força; são uma amostra da natureza sobre a paciência que devemos ter com a gente e com os outros. Logo, o acesso ao amor mais humano de todos: o próprio – faz esse carinho ceder aos demais uma parte única sua: a gratidão.
segunda-feira, 31 de maio de 2021
Para falar "adeus" sem culpa
A grande pedida da despedida é o fim. Pois, o bem cruzado
com o mal afasta a calma do início. A tensão só estabiliza quem vibra com
ela, os imóveis se desequilibram e caem. A queda é dolorida e apavorante.
Partir só agrada quem vai ou foi e olha lá.
Ninguém quer abrir a mão e fechar os olhos se não houver presentes.
Não há dádiva que embale o choro para viagem, já que quem sente se ocupa das
lágrimas. São as lições pelas pistas que amenizam os suspiros e quando a
liberdade emerge não colocamos impedimento ou culpa (amém). O seu saudosismo não se
iguala ao dos demais e isto é único.
...Toda saudade compila a presença do ausente – retratos
vociferam histórias sem vozes...
Fazemos parte do passado de quem nos perpassou e se
atravessamos caminhos desiguais é por não sermos tão iguais como esperávamos.
Aliás, procuramos nas nossas vicissitudes a raiz da evolução geográfica e
social, todavia, encontramos nelas a origem da emocional – seja para falar
adeus sem ciúmes ou celebrar o ciclo amistoso de uma paz madura e fértil, o que é bom também.
sábado, 8 de maio de 2021
Você
...Que cantarola o amor sem cifrá-lo,
(com afeto a granel moído em
paz).
Que nos alimenta ao poetizar
seu doar;
Que pesponta as fissuras passionais;
Que é solar do amanhecer ao
anoitecer
(e chuvosa ao se debulhar em
louvor);
Que transforma problemas em
poemas,
Que um dia era só filha, outro
já era mãe,
Que faz com sua sina as
melhores rimas,
Que é bálsamo, cura, estrada e
lições...
A você
... Todo meu carinho neste
textinho,
Cheio de afeto, razão e pura
gratidão!
Mãe,
E quando foi música... Ele se encantou quando te ouviu;
Quando virou dança... Deus se empolgou, então, dançou e se divertiu;
E quando Ele a criou, foi generoso e te compartilhou...
Você que é bondosa de nascença e bonita também: é memória da música, poesia e dança que inspirou Deus.
Mesmo sendo arte escolheu ser labor e trabalhou como sempre, como nunca...
Foi e é ge(re)nte da gente. Espalhou com sua organização sua coerência (um arranjo divino em meio ao caos e desarranjo humano com sua paz).
Esta declaração é para agradecer a Deus pela melhor poesia dele: você, mãe – um esboço fiel versado no céu.