A gente perdeu a habilidade do encontro. Conhecer alguém é mais sobre verificar se o que ouviu sobre o outro é verdade. Fazemos checklist de fofoca o tempo inteiro e validamos estereótipos naturalmente.
Despretensiosamente, somos cúmplices de quem conversa demais e conhece de menos. Falta traquejo no ouvir, falta molejo no abdicar certezas beneficiando a dúvida...
Falta rever conceitos e pré-conceitos visibilizados pela maledicência e principalmente fechar o ciclo que viabiliza o desprezo, a discriminação e outras agressões.
A pessoa preterida, às vezes, tem suas falas tiradas de contextos e distorcidas por interesse de terceiros — os fofoqueiros.
Estes, entenda, deslizam pelo vitimismo de quem projeta no outro a imperfeição que tem — ou seria a covardia?
Demorei vinte anos para compreender que há um limbo entre entrega e espera, e segundos para respeitar o meu jeito desigual à sua expectativa, por mais convidativa que pareça.
Talvez a grande questão seja: se para eu crescer preciso te diminuir, estou mesmo evoluindo?