Acolha suas escolhas...
Não se encolha,
Para que não te recolham,Ao tentarem colher o que é seu...
Sem escolhas não se recolha,
Escolha te (a)colher,
E não encolha quem te acolheu.
Acolha suas escolhas...
Não se encolha,
Para que não te recolham,Cabe a cada um de nós aprender a se escutar com o humor afetado pelo momento; aprender a acolher a dor sofrida que, às vezes, se manifesta sem aviso; e aprender a se mover em meio aos conflitos e seus prejuízos sem invalidar seus atravessamentos ou, o contrário, cultuar seus problemas. Isto resgata o amor embalado pela cautela de perceber-se parte de relações que abrigam pessoas distintas, porém ligadas ao repertório uns dos outros; isto viabiliza o pertencimento a um núcleo amoroso enredado pela vida em comum e respeitosa com os demais e consigo, inclusive com as oscilações presentes tão complexas e simples de tão significativas que são para eu, você e mais.
Não há nada tão valioso dentro de você do que sua essência. A vida como uma costura de repertórios não elimina o agora e é para ele que te convido olhar. Mais do que aquilo que se apresenta em primeiro plano, onde – de repente – não há foco suficiente, ali há pistas do lugar que ocupa na teia de relações que o constituí e, às vezes, por transcender amor, pode enroscar-se. O que é compreensível até pelo cuidado com quem ama, além de acontecer em inúmeras famílias. Por favor, acredite em mim: é preciso encontrar o maior achado de todos na raiz de seus afetos por si mesmo, onde a lâmpada da vida acende ou reacende sua luz. E creia: a reflete, porque, tanta gente a contempla ao falar contigo, como também enxerga a pessoa potente e fantástica que é. Se a ansiedade bater e o controle dos eventos ao seu redor se esvair, respire – não podemos nos esquivar e proteger de todos os imprevistos, contudo devemos nos perceber e acolher sem nos culparmos ou martirizarmos por eles. E é nesse processo que reside a mudança anelada, quando não abraçamos as ações e reações do outro como se fossem nossas e sim nos apropriamos de como agimos enquanto agentes de transformação a começar pela mudança em nós – tal qual diria o clichê: "um passo de cada vez” – e assim ficamos bem. Então, fique bem.
Não é porque movimento as palavras que sou movida por elas. Tenho mais vícios de imagem do que de linguagem. Não mergulho nos ruídos como me inundo nos silêncios. Tem horas que sou só uma piscada e outras que sou uma janela aberta. Eu gosto é mesmo de ser porta escancarada, movida e comovida pela passagem dos ventos e por meia dúzia de frases esvoaçadas.
Eu que esperava um certo cambalear a dois;
Que desejava partilhar a embriaguez com você.
Eu que vi o rasante do verbo glote a fora;
Que acatei a pureza do seu bendizer.
Eu que desaprendi a amar essa sabedoria toda;
Para poupar a ignorância de admirar-te outra vez;
Eu que escalei a estupidez com o fôlego mudo;
Alei com o impulso do seu adeus e voei.
Quem pertence a sua família encontra cuidado e respeito nela? Qual a função de cada um de seus membros? Existe companheirismo ou só ordem? Minha mensagem, abrange laços sanguíneos, de alma ou mistura tudo; transmite igual o afeto que constituí quem é herdeiro ou criou-se diferente. Assim, como refletora de um amor franco, defendo a superação dos desafios até as conquistas. Sei, contudo, que é dureza viver a equidade em um mundo injusto como o nosso. Então, desejo que na sua parentela: você encontre apoio, inclusão e aconchego; e que no seu legado esteja o diálogo cheio de empatia. Eis meus votos para as nossas famílias: sabedoria farta, bravura atenta e mansidão constante.
💞
Quando recebi sua mensagem, hoje, fiquei mobilizada e se contextualizo minha reflexão nesta carta aberta é por supor que ela talvez alcance mais criaturas lindas em situações análogas a sua. No primeiro momento pensei: logo ela? Esforçada, sagaz, organizada e EXCELENTE – em caixa alta de propósito. Mas, o fato é que "essas coisas" não escolhem a gente e calma, a gente também não escolhe elas. E tudo que pensei desde que nos falamos foi sobre frustração e como esta impacta nossa vida. Sei que quando olha para toda sua labuta e atual conjuntura do mercado fica triste. Isto, porém, não anula o ser humano potente que é. Daquelas aulas lindas que a gente leva para vida ficou uma que trouxe "os sintomas" da depressão como um sinal interno de que precisamos procurar ajuda, na época a professora ilustrou a homeostase (busca pelo equilíbrio e harmonia) com o exemplo da febre que também dá notícia de algo que precisa ser melhor investigado e cuidado para que o corpo se equilibre outra vez. Penso exatamente assim e penso que o luto pela falta que os resultados esperados fazem podem sim abalar nossos propósitos e essência. E você não tem do que se envergonhar. Gostaria muito de afinar o que sinto com o que escrevo, para que entenda que não escrevo bem, permita-me discordar – eu simplesmente coloco meus sentimentos em uma narrativa que os espalha até chegar aos olhos de quem lê. Te amo e por amar decidi escrever "meu bem" ao invés do apelido carinhoso que a chamo, só para preservá-la. É um direito seu enfrentar tamanho sofrimento psíquico sem ser exposta. Se eu pudesse palpitar, contudo, falaria: escove os dentes (não se esqueça), esvazie sua agenda de vez em quando, ao longo do caminho trate de se tratar ao ser tratada (certeza que compreende) e sobretudo lembre-se que não está só, há uma rede que te ancora e eu sou um pontinho nessa teia de afetos e acolhida que você precisa e merece. A propósito, descabelada ou chiquérrima a senhorita segue sendo estupenda – nunca duvide disso. Como digo, estamos juntas e conte comigo. No meu ver nossa amizade é pavimentada no respeito – tudo que nutro além do amor por quem tu és.