O que é uma lágrima para você? Minha sobrinha de seis anos se formou e eu, alegre, chorei igual quando ela nasceu. Senti saudades de coisas, pessoas, eventos e, nostálgica, chorei outra vez. Hoje, meu encanamento emocional goteja lágrima por lágrima, como um vazamento de emoções no cano da alma que precisa ser observada. Chorei bonito. E depois do choro veio a brisa do alívio por conseguir por para fora. Coloquei conforto e desconforto abraçados, daí senti que poderia mergulhar neles e desbravar sentimentos. Como diria uma ex terapeuta: é importante perceber que emoção que vem. Observando detectei um pingo de alegria, outro de tristeza, outro de surpresa e alguns mais essenciais. Entrei em contato com este momento e fui ao encontro da força que emana da minha vulnerabilidade, onde me permito esvaziar, amadurecer e alegrar por isto. Não estou acostumada com esse misto de sensações, porém curti a experiência de validá-las sem me punir. Este foi o ápice do meu dia: acolher meus afetos colhidos com toda sensibilidade, satisfação e um amor esculpido no bojo desses aprendizados.
sábado, 9 de dezembro de 2023
segunda-feira, 20 de março de 2023
Sem frear seus sinais
Escrever é algo tão visceral que meus textos espalham alguns segredos. Neles articulo o que troco, elaboro e leio.
Dou andamento as palavras para não estagná-las, e alinho afetos expostos em frases bem nutridas e reais.Em um parágrafo combino o que sei com o que é preciso para alimentar a esperança e rechaçar preconceitos.
Minha obra é a mistura do que aprendo com o que revelo aos que me inspiram e eu inspiro – sem frear seus sinais.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2022
O esboço de toda a minha gratidão.
quinta-feira, 6 de outubro de 2022
Acolhimento
Acolha suas escolhas...
Não se encolha,
Para que não te recolham,Ao tentarem colher o que é seu...
Sem escolhas não se recolha,
Escolha te (a)colher,
E não encolha quem te acolheu.
segunda-feira, 19 de setembro de 2022
Aprender
Cabe a cada um de nós aprender a se escutar com o humor afetado pelo momento; aprender a acolher a dor sofrida que, às vezes, se manifesta sem aviso; e aprender a se mover em meio aos conflitos e seus prejuízos sem invalidar seus atravessamentos ou, o contrário, cultuar seus problemas. Isto resgata o amor embalado pela cautela de perceber-se parte de relações que abrigam pessoas distintas, porém ligadas ao repertório uns dos outros; isto viabiliza o pertencimento a um núcleo amoroso enredado pela vida em comum e respeitosa com os demais e consigo, inclusive com as oscilações presentes tão complexas e simples de tão significativas que são para eu, você e mais.
segunda-feira, 29 de agosto de 2022
Fique bem
Não há nada tão valioso dentro de você do que sua essência. A vida como uma costura de repertórios não elimina o agora e é para ele que te convido olhar. Mais do que aquilo que se apresenta em primeiro plano, onde – de repente – não há foco suficiente, ali há pistas do lugar que ocupa na teia de relações que o constituí e, às vezes, por transcender amor, pode enroscar-se. O que é compreensível até pelo cuidado com quem ama, além de acontecer em inúmeras famílias. Por favor, acredite em mim: é preciso encontrar o maior achado de todos na raiz de seus afetos por si mesmo, onde a lâmpada da vida acende ou reacende sua luz. E creia: a reflete, porque, tanta gente a contempla ao falar contigo, como também enxerga a pessoa potente e fantástica que é. Se a ansiedade bater e o controle dos eventos ao seu redor se esvair, respire – não podemos nos esquivar e proteger de todos os imprevistos, contudo devemos nos perceber e acolher sem nos culparmos ou martirizarmos por eles. E é nesse processo que reside a mudança anelada, quando não abraçamos as ações e reações do outro como se fossem nossas e sim nos apropriamos de como agimos enquanto agentes de transformação a começar pela mudança em nós – tal qual diria o clichê: "um passo de cada vez” – e assim ficamos bem. Então, fique bem.
sábado, 16 de julho de 2022
Esvoaçadas
Não é porque movimento as palavras que sou movida por elas. Tenho mais vícios de imagem do que de linguagem. Não mergulho nos ruídos como me inundo nos silêncios. Tem horas que sou só uma piscada e outras que sou uma janela aberta. Eu gosto é mesmo de ser porta escancarada, movida e comovida pela passagem dos ventos e por meia dúzia de frases esvoaçadas.
