Passei boa parte da vida querendo o impossível.
Pedia a Deus que me concedesse milagres.
Eu queria sossegar num passe de mágica.
Mas, nisso aí, soei como imprevisível;
Porque agora sou óbvia e depois sou profunda.
E foi na obviedade do dia que percebi:
Preciso das coisas possíveis.
Alcançar o viável.
Ser previsível.
Com as rasuras deixadas pelas tentativas e erros.
Pelo projeto final assinado pelo acerto.
Simples, raso e fecundo.
Sem milagre ou fórmula mágica.
Com gestos curtos que me remendam por inteiro.