domingo, 5 de dezembro de 2021

Sobre o último filme que assisti...

Hoje pensei: será que no lugar dela eu mataria aquele personagem? Quem? – você me pergunta. Um bon-vivant, nerd, um bom filho, quem se tornou marido, se tornou pai, quem virou ex, viveu com outra, um playboy ou algo assim... alguém mesquinho (talvez), ingrato (por que não?) ...  assassinado pela mulher que fez sua cabeça. Eu teria matado o herdeiro de um império se obcecada fosse por ele? Um filme baseado em fastos reais baseou minha conclusão sobre um crime passional (será?) que eu jamais cometeria.

No enredo tem um pai que o adverte sobre a “interesseira” (vê lá que uma hora amou, quem sou eu a julgar?), do outro lado tem um tio que exala poder sem qualquer domínio e ciência sobre ele, aí aparece aquele primo – filho do tio “poderoso” – que pensa fora da caixa e por assim ser é colocado fora daquelas que contém a marca da família. Um nome de grife cheio de gafes como toda boa dinastia. Paixão, ambição, beleza, luxo, poder dentro de uma casa formada pela parentela daquele que lá no início classifiquei como bom filho, mas não como bom marido (ative em dizer apenas que se tornou isso), porque no fim do filme vi que era tão “iludido” quanto aquela que encomendou sua morte.

Então, reservei-me ao direito de compartilhar sem nominar os personagens, quis trazer a mensagem que retive sem revelar a origem dela. De tudo que ficou foi: “amor” que mata é tudo menos amor. Não comprei a história de um crime passional, pela exuberância da assassina cheia de estratégias, não creio – como ouvi por aí – que deveria ter matado mais gente, penso exatamente o contrário não deveria ter matado nenhum de seus desafetos, nem seu ex-marido (pai de suas filhas inclusive) – deveria ter se afastado e elaborado o luto do status perdido.

No final de tudo nossa maior riqueza é composta pelas pessoas e não pelas coisas que adornam nossa vida, são nossos entes – mais queridos – dentro desse clichê, nossos maiores pertences; e se no cerne da nossa existência há um cofre de sentimentos nele estão os tesouros da compaixão, empatia e respeito. Quiçá a personagem principal estava fora de si, a pergunta que fica é e quando ela (se é que) voltar para dentro: ainda haverá espaço para amar de verdade e se perdoar? Não há conheço, todavia medito, porque romantizam muitos casos polêmicos como o desse filme e acho que isso impõe uma cultura da admiração por um perfil nada admirável, e nem por isso carente de cuidado que deve ser, sobretudo, estudado e assistido com zelo.